O Que É CMV e Como Calcular (Custo de Mercadoria Vendida)
Aprenda o que é CMV (Custo de Mercadoria Vendida), a fórmula com estoque inicial e final, a porcentagem ideal por segmento e um exemplo numérico completo.
Você fecha o mês, olha o extrato e pensa: "cadê o dinheiro?". O salão estava cheio, as marmitas saíram, o balcão não parou — mas o lucro sumiu no caminho. Na maioria dos pequenos negócios de comida, o culpado tem nome e sobrenome: CMV, o Custo de Mercadoria Vendida. É o indicador que separa quem sabe quanto ganha de quem só acha que está ganhando. Se você não calcula o seu, está tocando o negócio no escuro — e o escuro, na cozinha, é o lugar mais caro que existe.
Afinal, o que é CMV?
CMV é a sigla para Custo de Mercadoria Vendida: quanto você gastou, em matéria-prima e insumos, para produzir tudo o que vendeu num período. Repare na palavra *vendida*. O CMV não é quanto você comprou no mês — é quanto você de fato consumiu para atender os clientes. Comprar 20 kg de carne não vira custo na hora; vira custo à medida que a carne sai do estoque e vira prato no balcão.
Essa diferença entre comprar e consumir é o coração do CMV — por isso ele é o número que amarra o seu estoque ao seu resultado: sem controle de estoque, não existe CMV confiável, só chute. Para não confundir, vale separar o que entra e o que não entra na conta:
- Entra no CMV: ingredientes, insumos, embalagens, matéria-prima — tudo que é consumido em cada venda.
- NÃO entra no CMV: aluguel, salários fixos, energia, água, internet, taxa de maquininha. Esses são despesas operacionais e entram em outra linha da sua conta.
A fórmula do CMV: estoque inicial + compras − estoque final
A fórmula clássica é curta e você só precisa de três números para aplicá-la:
- Estoque inicial — o valor do que você tinha guardado no primeiro dia do período.
- Compras — tudo que você comprou de insumo ao longo do período.
- Estoque final — o valor do que sobrou no último dia, medido por uma contagem real.
Com isso na mão: CMV = Estoque Inicial + Compras − Estoque Final. A lógica é simples — o que você tinha, mais o que entrou, menos o que sobrou, é exatamente o que saiu para virar venda. E para virar percentual, que é como o número realmente fala com você: CMV% = (CMV ÷ Faturamento) × 100.
Exemplo prático: um mês de uma hamburgueria
Vamos aos números de verdade. Imagine uma hamburgueria fechando o mês:
- Estoque inicial (dia 1º): R$ 8.000
- Compras no mês: R$ 22.000
- Estoque final (contagem no último dia): R$ 6.000
- CMV = 8.000 + 22.000 − 6.000 = R$ 24.000
- Faturamento do mês: R$ 75.000
- CMV% = 24.000 ÷ 75.000 = 32%
Ou seja: de cada R$ 100 que entraram no caixa, R$ 32 foram embora só em insumo. Esse mesmo raciocínio funciona prato a prato — e é aí que o CMV vira ferramenta de precificação. Veja o custo real de um único lanche, item a item:
- Pão brioche: R$ 1,40
- Blend de 150g: R$ 4,50
- Queijo cheddar (2 fatias): R$ 1,10
- Bacon: R$ 1,30
- Molho da casa: R$ 0,70
- Embalagem: R$ 0,80
- Custo total do lanche: R$ 9,80
Se esse lanche é vendido por R$ 32,00, o CMV do item é 9,80 ÷ 32 = 30,6% — bem alinhado com a meta do negócio. Foi exatamente esse cálculo, ingrediente por ingrediente, que a ficha técnica com custo automático do Metry faz para você: monte a receita uma vez e o custo se atualiza sozinho toda vez que o preço de um insumo muda. Se quiser se aprofundar na conta de fechar o preço a partir do custo, o guia Como calcular o custo de um produto destrincha o passo a passo.
Qual o CMV ideal por segmento?
Não existe um número mágico universal, mas existem faixas de referência que o mercado usa. Se o seu CMV está muito acima delas, tem dinheiro vazando; se está muito abaixo, cuidado com porção mesquinha ou preço alto demais para a concorrência. Faixas comuns:
- Restaurantes: 28% a 35% do faturamento.
- Bares: bebidas costumam ficar em 20% a 25%; a cozinha, em 30% a 35%.
- Pizzarias: 25% a 32%.
- Cafeterias e lanchonetes: 30% a 38%.
- Marmitarias e confeitarias: 30% a 40%, dependendo do quanto é artesanal.
Trate isso como bússola, não como lei — cada operação tem sua realidade de compra e de porção. Para recortes por tipo de negócio, veja como o controle funciona para restaurantes e para bares, onde a mistura de comida e bebida exige acompanhar o CMV de cada categoria separado.
Como manter o CMV sob controle no dia a dia
Repare que a fórmula depende de dois números que muita gente ignora: estoque inicial e estoque final. Sem uma contagem real do que sobrou, o CMV vira ficção. Por isso, controlar o CMV é, na prática, controlar o estoque. Algumas atitudes que fazem diferença:
- Conte o estoque com regularidade — pelo menos no fechamento de cada mês, para ter um estoque final confiável.
- Registre compras e produções na hora — assim o valor consumido não se perde de memória.
- Mantenha fichas técnicas atualizadas — é o que traduz "vendi 200 lanches" em "consumi X de carne, Y de pão".
- Acompanhe o CMV mês a mês — o que importa não é o número isolado, é a tendência: subindo, ligue o alerta.
É aqui que o Metry entra como ferramenta do dia a dia, sem promessa mágica. Ele faz controle de estoque com precisão fracionada (kg, g, ml), guarda a ficha técnica de cada produto com o custo calculado automaticamente, sugere preço a partir do custo com o markup que você definir e mantém o histórico de movimentações que alimenta o seu CMV. E o Copilot de IA registra compra, venda e fabricação por texto — você digita "comprei 10 kg de carne por R$ 380" e o estoque se ajusta. Funciona no celular, do balcão ou da cozinha. O que o Metry não faz, e é honesto dizer: não é PDV, não emite nota fiscal e não lê código de barras — o foco é estoque, custo e preço bem feitos.